O mundo inteiro procura Osama Bin Laden. Ou pelo menos diz que procura. O terrorista saudita foi o mentor do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. LÃder do grupo Al Qaeda, ele ordenou o lançamento de aviões sequestrados contra as torres gêmeas de Nova Iorque e contra o Pentágono, na capital norte-americana. 2754 pessoas morreram. Nenhum bandido, em qualquer lugar do mundo, pode ser comparado a ele diante desta tragédia. Pois esta semana eu conheci o Bin Laden.
Claro que não foi o terrorista. O Bin Laden gaúcho é carroceiro e vive na Ilha Grande dos Marinheiros, um dos pedaços de terra que ficam no meio do GuaÃba. Fui conversar com ele por causa de uma polêmica lei aprovada pela câmara de vereadores que prevê o uso de fraldões nos cavalos para evitar que eles façam sujeira pelas ruas. Bin Laden, como presidente da associação dos carroceiros, tinha que se pronunciar sobre o assunto.
O nome real do carroceiro é Teófilo. Estava assim na pauta que recebi antes de fazer a reportagem. Mas nas indicações para se chegar até ele, a produtora Karina Chaves deixou o recado: é só perguntar onde fica a casa do Bin Laden. Todo mundo conhece ele.
Onde está Bin Laden? As autoridades policiais do mundo inteiro não têm resposta para esta pergunta. Se elas viessem até a Ilha Grande dos Marinheiros, teriam. É só chegar na rua Nossa Senhora e perguntar. Ali, naquele pedaço de chão batido, esquecido pelo poder público, circulam mais carroças do que carros. O rio está tão perto que basta uma chuva mais forte para invadir as casas. Sempre foi assim, dizem eles. Eu mesmo já estive lá cobrindo enchentes. Parece que nada mudou.
Onde fica a casa do Bin Laden? O sujeito que caminhava, para quem pedimos a informação, olha para o restante da rua. Apontou para uma caminhonete que estava bem distante de nós.
- Está vendo aquele carro? Mais ou menos por ali tem um beco. Tem que entrar pela direita.
O beco era tão estreito que mal conseguimos passar de carro. Dos dois lados vivem carroceiros que buscam material para reciclagem na cidade. Qual a casa do Bin Laden, pergunto. O menino aponta com o dedo para uma casinha azul. Estamos perto.
Desembarcamos ali, no meio da rua. No pátio já vejo o sujeito que se aproxima, de boné e um sorriso no rosto.
- Bin Laden?
- Tá falando com ele…
Não sei o motivo do apelido. Teófilo não se parece com o terrorista. Pelo menos na minha opinião. Quem sabe no passado teve barba grande e até pareceu. É um cara tranquilo, bem articulado. Conversamos quase meia hora sobre a lei dos fraldões. Ele disse que não vai ser difÃcil adaptar os cavalos com uma contenção na parte traseira que impeça a derrubada de fezes pelas ruas. Só acha complicado ter mais uma lei pela frente. O carroceiro que não usar a contenção no cavalo pode levar multa de quase 250 reais. Uma vizinha do Bin Laden chegou a dizer que mal tem dinheiro para a comida dos filhos, imagine para comprar fralda para o cavalo. Bin Laden concordou, pensativo.
Antes de nos despedimos, ele disse que se a lei pegar devemos conversar de novo. A polêmica vai ser grande. Então até a próxima, Bin Laden.
Na saÃda da Ilha Grande dos Marinheiros, tentei conversar com outros carroceiros, mas não consegui. Todos eles diziam a mesma coisa. “Fala com o Binladi, fala com o Binladi”. Eu já tinha falado. E até apertado a mão.
Postado por cristiano dalcin/porto alegre