Decreto com regras para para reserva legal deve sair na próxima terça
Depois de dois anos de negociação, o governo federal deve publicar na próxima semana um decreto com as regras para quem precisa recompor a reserva legal.
De acordo com documento preliminar, ao qual a jornalista Débora Santos teve acesso, o texto permite, por exemplo, que o produtor compense, em outra propriedade, o que foi desmatado na própria fazenda, desde que seja no mesmo Estado.
Além de manter a vegetação nativa em encostas de morro e ao longo dos rios, todo agricultor tem que preservar um percentual de floresta. Esse índice é definido pelo governo e varia de 20% a 80% da área, dependendo da região do país. Isso é a reserva legal, uma área que pode ser explorada economicamente, desde que a sustentabilidade seja respeitada. O impasse aconteceu porque produtores desmataram mais do que era permitido. Agora, o governo estuda regras claras para a recuperação da reserva. A ideia é a seguinte: se o agricultor não quiser ou puder recuperar a área na própria fazenda ele pode recorrer a um vizinho que tenha mata nativa “sobrando”. Quer dizer, aqueles produtores que tiverem excedente de reserva legal poderão emitir títulos e vendê-los.
Esse negócio, no entanto, só poderá ocorrer no mesmo Estado e no mesmo ecossistema. O documento, que serve como base para as discussões, propõe ainda que quem tiver desmatado sem autorização depois de 1998 não tenha direito de compensar em outras propriedades. Agricultores familiares contariam com apoio financeiro do governo para legalização das áreas.
De acordo com estimativa da CNA, a recomposição da reserva na propriedade não sairia por menos de R$ 10 mil por hectare. Ambientalistas consideram esse levantamento exagerado.
A proposta, em análise na Casa Civil, não é consenso. A CNA alerta que em regiões, como Sul e Sudeste, não há áreas disponíveis. O produtores defendem que a compensação possa ser feita em outras regiões. Uma definição está sendo aguardada para a próxima terça-feira.
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