Dá uma olhada na minha coluna Campo & PolÃtica publicada hoje, em Zero Hora:
Governo e indústria não se prepararam com polÃticas estratégicas para evitar a crise do etanol. O resultado é a alta dos preços do combustÃvel, pesando no bolso do consumidor. A medida emergencial foi o anúncio da redução da mistura na gasolina, prevista para começar no dia 1º de fevereiro, junto com notÃcias de que o Brasil pode até importar o produto.
Na base do problema está a quebra da safra de cana-de-açúcar, prejudicada por questões climáticas, também a alta nos preços internacionais do açúcar e até a crise financeira de 2008. Todo mundo sabe que, para problemas de estoque, nada melhor do que uma linha de financiamento subsidiada. E essa ferramenta existe sob a forma de um de crédito para a estocagem à disposição das indústrias. A procura em 2009, no entanto, foi pÃfia. Atingidas pela escassez de crédito, as indústrias colocaram o seu produto no mercado para se financiar. A expectativa, agora, é a colheita da nova safra para acalmar os ânimos não só dos consumidores, mas também do governo.
É sempre bom lembrar que os carros flex constituem quase 40% a frota nacional de veÃculos e que nos últimos três anos houve um aumento de quase 80% no consumo do etanol. Como se não bastasse essa formação do mercado interno, o governo Lula fez do chamado combustÃvel verde uma de suas bandeiras internacionais. Técnicos se empenharam em reuniões para tentar consolidar o produto como uma commoditie inserida nos negócios globais. Atualmente, barreiras tarifárias e não tarifárias impõem restrições aos acordos entre paÃses e o Brasil nunca hesitou em reclamar da falta de livre acesso aos clientes externos. Com a crise de 2008 e a queda no preço do petróleo, todo esse movimento perdeu um pouco do glamour.
Mas se o Brasil, um dos principais produtores junto com os Estados Unidos, enfrenta uma crise de produção e preços como essa, como formatar e conquistar a confiança dos investidores? Agora, parece que o governo corre contra o tempo em ações quase improvisadas. Assim como outros elos da cadeia do agronegócio, também esse precisa ser cuidadosamente desenhado na base, antes de começar a propaganda.
- Com a falta dos trabalhos no Congresso, agora em fevereiro, a votação do projeto do Código Florestal volta com tudo. A bancada ruralista está mobilizada para garantir aos Estados maior autonomia sobre o assunto. E também a CPI do MST promete retomar as atividades com a votação dos primeiros requerimentos.