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Arquivos de dezembro de 2009

Em roupa de gala

  • Sinceramente, alguém acredita que o pum da vaca seja o grande responsável pelo aquecimento global? Algumas ONGs mais radicais chegam a sugerir a redução – ou a eliminação total – do churrasco nosso de cada dia como parte da cruzada contra a emissão de gases de efeito estufa. Outros culpam o agronegócio pela devastação das nossas matas. Falando sério, e deixando exageros e preconceitos de lado, todos os setores têm e podem contribuir para uma nova ordem na economia mundial, revendo tradições produtivas, assumindo erros e práticas de manejo conservadoras que não têm mais espaço nas exigências atuais de produtividade e respeito ao ambiente.

    Um dos principais fatores de risco para os produtores são as incertezas do clima. Tanto que as políticas de seguro agrícola contra as intempéries são tão importantes, atualmente, quanto os recursos para o custeio da safra. Lideranças rurais, com pretensões políticas, também já ajustaram o discurso em apoio à preservação do ambiente. Consciente deste peso, o Ministério da Agricultura vem trabalhando em ações específicas para colaborar com o cumprimento das metas da redução de emissões de CO2, agora oficializadas na lei de Mudanças Climáticas. A prática do plantio direto, tão conhecida entre os gaúchos, é uma delas. O aumento do rendimento e da excelência no campo, com a redução da idade de abate, é outra. Se até agora, o próprio mercado não se encarregou de ajustar a rotina de produção na pecuária, a nova preocupação com o clima deve enquadrar os resistentes.

    A fórmula do sucesso, no entanto, passa por incentivos às boas práticas por meio de linhas de financiamento direcionadas, com o devido selo ambiental, bem longe de folclores e campanhas radicais. Aliás, um projeto mais do que urgente para 2010.

    A polêmica discussão sobre a revisão dos índices de produtividade ainda não morreu. Mas é bom lembrar que em ano de eleições é difícil que desencante.

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Feliz 2010

A economia deve crescer 5% no próximo ano. A indústria deve retomar a atividade, abrindo novas vagas. As previsões dos economistas são as melhores para 2010, claro que com a ressalva de que as contas públicas devem continuar sofrendo. Enfim, ano eleitoral é ano cheio, com muito agito na política e nos negócios. Eu continuarei daqui, falando sobre os reflexos das decisões tomadas em Brasília no mundo do agronegócio e na vida dos produtores rurais  brasileiros. E, claro, espero continuar contando com a sua participação. Um grande abraço, obrigada pela companhia em 2009 e um excelente final de ano!

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E lá se foi a revisão dos índices

Em 2009, mais uma vez a revisão dos índices de produtividade veio à tona. Em setembro, depois de uma semana de manifestações do MST em Brasília, a cúpula do Planalto resolveu se reunir para ver o que seria possível conceder da pauta de reivindicações apresentada. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, saiu do encontro afirmando que em 15 dias a revisão dos índices seria publicada, um instrumento que facilitaria a análise e desapropriações de terras para a reforma agrária. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, foi avisado por telefone pelo presidente Lula. Pressionado pelo setor, Stephanes chegou a ameaçar colocar o cargo à disposição caso a mudança fosse assinada. Resultado: mais um ano termina, deixando o fantasma dos índices para trás. Mas é um esqueleto que fica para o próximo governo.

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Inadimplência de empresas ainda é alta

Não há dúvida de que a retomada da economia começou no segundo semestre de 2009, mas as empresas ainda sentem os efeitos da falta de crédito no mercado. A oferta de recursos ainda não alcançou o mesmo nível de antes da crise e nem mesmo é suficiente para atender toda a demanda. Dentro desta escassez, em especial as pequenas e medias empresas, enfrentam dificuldades para arcar com os compromissos de final de ano, como o pagamento do décimo terceiro para os funcionários. Há, então, um claro descompasso entre o ritmo de oferta de crédito para os consumidores e as empresas. A expectativa para o próximo ano, no entanto, é que a de financiamentos se normalize e que as empresas tenham uma situação mais confortável com relação aos níveis de endividamento no segundo semestre de 2010.

 

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De volta

Férias curtas, mas boas. Neste meio tempo, a talentosa equipe de reportagem da sucursal da RBS em Brasília manteve o blog atualizado. Hoje, encontro a cidade de Brasília mergulhada em uma calmaria. O governo, no entanto, não esquece que 2010 é ano eleitoral. Pela manhã, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou aumento para os repasses da merenda escolar e do transporte de alunos. Neste último caso, os principais beneficiados são os municípios rurais. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios, 4,3 mil cidades no país têm perfil agropecuário. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, comenta que muitos prefeitos comprometem cerca de 25% do orçamento com o transporte de alunos.

Ah: um atrasado, mas sincero, Feliz Natal!

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Europeus voltam ao Brasil em março

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Inácio Kroetz, deve viajar em janeiro à Bruxelas para discutir com representantes da Comunidade Européia o novo Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos do Brasil (Sisbov). Em entrevista à repórter Luciane Kohlmann, ele explicou que, no primeiro semestre do ano que vem, deve estar à disposição do produtor uma nova ferramenta mais simples, mais barata e mais ágil. Até o dia 21 de janeiro de 2010, o Ministério da Agricultura abriu uma consulta pública para avaliar junto aos pecuaristas as novas normas operacionais. Por isso, a ideia é realizar este encontro na Bélgica antes do término da consulta. Por enquanto, a única informação que se tem é de que os europeus estão estudando o novo sistema brasileiro. Kroetz adiantou também que uma equipe de técnicos do bloco deve desembarcar no Brasil em março para fazer as inspeções nas fazendas habilitadas à exportação. As sugestões ao novo Sisbov podem ser encaminhadas para o email: consultsisbov@agricultura.gov.br

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Batalha ambiental

O governo adiou para janeiro a publicação de um decreto para regulamentar o uso e a conservação das Áreas de Proteção Permanente (APP). A informação foi dada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em coletiva hoje, em Brasília. A expectativa era que as normas fossem publicadas até o dia 11 de dezembro, junto com o decreto que adiou o prazo para a averbação da reserva legal. A repórter Luciane Kohlmann, que acompanhou a entrevista, informa ainda que o Executivo deve enviar, em fevereiro, um projeto de lei ao Congresso Nacional com sugestões de mudanças no Código Florestal. Minc garante que três grandes pesadelos para os ambientalistas vão fica de fora dessa proposta: a anistia aos desmatadores, a regionalização da leis sobre proteção de florestas e a extinção da reserva legal.

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Salário de R$ 510

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, hoje, em entrevista exclusiva à repórter Daniela Castro, que o presidente Lula deve assinar ainda esta semana uma medida provisória para reajustar o salário mínimo dos atuais R$ 465,00 para R$ 510,00. O novo valor entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2010. O relator-geral do Orçamento da União, deputado Geraldo Magela (PT-DF), reservou R$ 870 milhões para este aumento. O valor é quase 10% maior que a proposta encaminhada pelo governo. Inicialmente a União planejava elevar o salário mínimo para R$ 505,90.

- Prevaleceu a ideia de que é muito mais razoável fazer o arredondamento pra R$ 510 reais. Até porque muitos aposentados sacam as suas aposentadorias naquelas máquinas dos bancos. Se você colocar valor picado, é arrumar problema operacional. Acho que ficou bom o valor. Vai dar um pouco mais de 9,6% de aumento. Significa um aumento real de quase 6% – disse o ministro.

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Esperança para o ano que começa…

No tradicional café da manhã de fim de ano com jornalistas, o presidente Lula também comentou o fracasso da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP-15).  Apesar da falta de consenso entre os países neste ano, Lula afirma que há um acordo informal que pode ser acertado em 2010, na conferência do México. Na avaliação do presidente, o Brasil fez o melhor que podia, mas a postura dos países desenvolvidos.

- Não houve acordo porque os países ricos ficaram muito presos à posição dos Estados Unidos, que tinha uma meta que nem foi aprovada pelo Congresso ainda. Eles também não estavam dispostos a financiar os esforços dos países em desenvolvimento. Quando se fala em R$ 10 bilhões divididos por 33 países [nações ricas] é muito pouco. Esse é o recurso que eles falam até 2012. Quando eles falam nos R$ 100 bilhões para 2020 estão falando em captar no mercado, quem garante que o mercado vai querer contribuir… Então não há garantias que esse dinheiro existirá”, lamentou Lula.

Postado por Viviane Cardoso

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2010: ano do investimento

O presidente Lula disse que no ano que vem vai manter o controle dos gastos, mas descartou a possibilidade de arrocho salarial do funcionalismo. Segundo ele, a União, por exemplo, vai contratar mais médicos e professores. Entre os principais objetivos do governo para 2010 estão o controle da inflação e os incentivos a todos os setores produtivos que estiverem precisando de ajuda, seja para produzir ou comercializar. Durante o bate-papo informal com os jornalistas, Lula ressaltou que ações como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) - adotadas este ano para conter a crise econômica - podem se tornar definitivas, desde que a economia brasileira tenha condições para isso.

Postado por Viviane Cardoso

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