Confira a coluna Campo & Política, de hoje, em ZH:
Colocar a lavoura no seguro está aos poucos virando um hábito no país. Todas as liberações de custeio para os pequenos produtores já contam, automaticamente, com a proteção. Neste caso, o agricultor não tem escolha. Seguindo este modelo, o governo e as instituições financeiras também gostariam que as operações de financiamento para médios e grandes produtores funcionassem da mesma forma. Os custos, no entanto, ainda impedem a prática compulsória. Para que o seguro agrícola deslanche, o Planalto aposta na criação do Fundo de Catástrofe, que está pronto para ser votado no plenário da Câmara.
O mecanismo funciona como uma espécie de incentivo à participação de mais empresas no mercado. Se o plano der certo, os custos aos produtores devem cair, popularizando as operações. O problema ainda estaria concentrado em áreas de grande risco climático, como o Rio Grande do Sul. A reclamação dos agricultores é que, em muitos casos, o prêmio ainda é alto.
Mesmo assim, a proteção já está sendo ampliada. No Banco do Brasil, mais de 60% dos contratos de custeio já são acompanhados de seguro. Uma dobradinha que, claro, representa também tranquilidade para o banco. Mas parece que o governo não estava preparado para tanta procura. Congelados em razão da crise econômica, os recursos liberados para cobrir a participação do governo não foram suficientes. Faltavam cerca de R$ 90 milhões, uma verba que já está totalmente comprometida com as seguradoras que fecharam os contratos com os produtores. O dinheiro somente foi aprovado pelo Congresso na última quarta-feira. No fundo, os técnicos da equipe econômica apostam na popularização do seguro como uma maneira de eliminar do mapa as eternas renegociações de dívidas. Só falta afinar o discurso com o pessoal do orçamento.
O impasse do Código Florestal está próximo do fim. A solução passa pela ampliação do prazo para averbação das áreas de proteção, enquanto a bancada ruralista discute projeto de lei na Câmara.
Postado por Carolina Bahia