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Arquivos de setembro de 2009

Censo Agropecuário: da polêmica ao Raio-X

O IBGE divulgou hoje o Censo Agropecuário de 2006. Os números já causam polêmica entre os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário em função do peso da agricultura familiar. Mas o que importa mesmo são os dados que a pesquisa revela. Aqui, um breve levantamento sobre o Rio Grande do Sul, feito pela repórter Luciane Kohlmann. Dá uma olhada:

RIO GRANDE DO SUL
- 1º Estado que mais usou agrotóxicos nas lavouras. Dos 441.467 estabelecimentos, 273.851 usaram os produtos (62%)
- 3º Estado com maior número de estabelecimentos rurais da agricultura familiar - 378.546 (só perde para Bahia e MG)
- 3º Estado com maior número de pessoas ocupadas nos estabelecimentos rurais - 1.231.820 (1º é Bahia e 2º é Minas Gerais)
- 2º Estado com maior número de estabelecimento e maior produção de leite. São - 205.158 propriedades e uma produção de 2,4 bilhões de litros. Só perde para MG.
- 1º Estado com o maior número de estabelecimentos rurais de sociedade de pessoas, condomínio ou consórcio.
- 1º Estado com o maior número de estabelecimentos comprados via crédito fundiário, e é o 3º comprados direto de particular.
- 3º Estado com mais estabelecimentos com produção orgânica.
- 1º Estado com o maior número de estabelecimentos e maior área com lavouras temporárias.
- 1º Estado com maior área de pastagens naturais.
- 2º Estado com o maior número de tratores nos estabelecimentos. Só perde para a Bahia.
- 2º Estado que mais obteve financiamento para a safra - R$ 2,7 bilhões. Só perde para São Paulo.
- Na Região Sul, destacam-se pela igualdade na distribuição das terras, os municípios incluídos nas áreas coloniais de migrantes italianos e alemães situadas no noroeste do Rio Grande do Sul, na região vinícola da Serra Gaúcha assim como aqueles situados na região da agroindústria de aves e suínos, no oeste catarinense e sudoeste paranaense.
- Estado se encontra apenas na 6ª posição entre os maiores produtores de carne. RS soma 11 milhões de cabeças de gado, perdendo para MS, MT, GO, MG e PA. O RS perdeu quase 35 mil propriedades de bovinos e mais de duas milhões de cabeças comparado a 1996.
- 2º Estado com o maior número de estabelecimentos com produção de suínos integrada à indústria (São 12.308).
- 2º Estado com o maior número de cabeças de suínos em 31.12.2006 - 5,6 milhões de cabeças.
- O arroz irrigado se destaca na Região Sul, mais especificamente no Rio Grande do Sul, que em 2006 foi responsável por mais da metade da produção nacional.
- Rio Grande do Sul teve a maior produtividade do leite do país: 2 501 l/vaca/ano.

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Parlamentares costuram acordo de última hora

Aliás, o movimento de parlamentares hoje no Ministério da Agricultura foi intenso. O ministro Reinhold Stephanes tenta costurar um acordo com os deputados para que adaptações no Código Florestal sejam garantidas no Congresso. A saída mais rápida seria acrescentar uma emenda a um projeto que já tramita na Câmara. Tudo para assegurar a situação dos produtores, uma vez que no dia 11 de dezembro vence o prazo para adaptação às regras atuais, como averbação da reserva legal. Outra saída, menos nobre, seria empurrar o problema com a barriga. O Planalto ainda estuda a possibilidade de editar um decreto assegurando mais prazo aos produtores.

 

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Dinheiro para defesa

Em reunião hoje com o ministro da Agricultura, o deputado Odacir Zonta (PP-SC) chamou a atenção para um antigo problema do agronegócio. De acordo com o deputado, estão faltando recursos para defesa sanitária, em ações como controle de fronteiras e programas e combate à aftosa. A necessidade chega a R$ 120 milhões.

- Vamos conversar com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para tentar a liberação dos recursos – diz o ministro.

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Corrida maluca

A CPI da Terra pode ser criada amanhã. Os governistas correm para tirar as assinaturas do documento que pede a instalação das investigações.

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Financiamento para compra de veículos

O governo já anunciou que os pequenos produtores podem pegar recursos do Mais Alimentos para investir em armazenagem. Mas a novidade que está sendo negociada com a equipe econômica é a liberação de dinheiro a juros baixos e prazos mais longos é para o produtor pegar financiamento para comprar veículos para o transporte da safra. Ele teria, por exemplo, dinheiro para financiar a compra de um caminhão para transportar hortaliças, desde que prove o uso do veiculo para o trabalho pelo menos em 120 dias no ano. É possível que o Ministerio da Fazenda concorde porque além de beneficiar o produtor, também faria a alegria das montadoras. Tudo caminha para um acordo com as empresas para que os veículos saiam por um preço mais em conta. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário informam que as negociações estão bem adiantadas.

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Prazo para averbação da reserva legal

Quanto ao prazo para a adaptação ao Código Florestal, o Ministério do Meio Ambiente tem novidades. De acordo com a repórter Daniela Castro - que entrevistou o diretor do Departamento de Florestal, João de Deus Medeiros - se não houver mudança nas regras até dezembro, os agricultores ganharão mais prazo para regularizarem a averbação da reserva legal. As multas não serão cobradas de imediato e os fiscais ambientais devem fazer notificações e dar prazo de 120 dias para que os produtores tomem providências.

 

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Etanol para exportação

Não só aspectos técnicos nortearam  o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar. Ao definir as regras finais, o Brasil também se preocupou em imprimir o chamado “selo verde” na produção de cana, conquistando de vez a confiança dos mercados internacionais - sempre de olho no etanol. Além da proteção à região Amazônica e Pantanal, estão lá regras que encorajam a  eliminação das queimadas e a mecanização das lavouras. Diretor de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Vizentin, não acredita que o Congresso possa mudar as normas já estabelecidas. Segundo ele, mesmo com a exclusão de algumas regiões, Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ainda ficarão com uma boa área apta ao plantio. Olha só o que diz o material oficial do governo:

MS - Área antropizada (já utilizada para produção) apta para expansão do plantio – 10.869.820

MT – Área antropizada apta para a expansão do plantio – 8.812.824 hectares

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Dinheiro para a cana verde

Lançado pelo presidente Lula, o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar alimentou polêmicas durante a semana. Houve até uma briga baixo nível entre o governador de Mato Grosso do Sul, André Pucinelli (PMDB) e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A grande questão são as áreas excluídas do zoneamento para a expansão da produção: os biomas Amazônia, Pantanal e Bacia do Alto Uruguai. Ruralistas defendem que nem mesmo seria necessário esse zoneamento, os ambientalistas não abrem mão da proteção a essas regiões. De fato, o impasse será discutido no Congresso Nacional, mas é preciso deixar claro que junto com o projeto de lei, o governo editou um decreto, determinando as orientações para o plantio. O Conselho Monetário Nacional, agora, deve regulamentar as ações do decreto, liberando linhas de financiamento apenas para os produtores e empresas que seguirem as orientações do governo. Vantagens tributárias também estão sendo estudadas pelo Ministério da Fazenda para estimular o cumprimento das regras. Enfim, mesmo que o projeto seja modificado na Câmara, o governo só vai liberar recursos oficiais para quem respeitar o zoneamento.

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O novo Código Florestal ficará pronto a tempo?

Tem liderança ruralista apostando que o governo não consegue chegar a um consenso sobre as regras do Código Florestal até 11 de dezembro, data em que vence o prazo do decreto presidencial para que os produtores consigam se adequar às regras de produção. A manutenção das Áreas de Proteção Permanente (APPs), recuperação e averbação da reserva legal estão neste pacote. Na falta de acordo, a aposta é que o Planalto vai esticar o prazo para a adaptação dos produtores. Os ambientalistas, no entanto, acreditam que o fator Marina Silva nas eleições presidenciais pode levar o presidente Lula a encontrar uma saída ao impasse o mais breve possível. Enfim, nas bastidores, o Ministério da Fazenda estaria trabalhando em saídas econômicas para estimular a manutenção das florestas em pé, com um fundo de apoio que poderia chegar a R$ 4 bilhões.

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Injeção no Mercosul

Pode até parecer figura de linguagem, mas o Mercosul ainda vive. Mesmo com todas as divergências internas, o bloco tem uma rodada de negociações com a União Europeia marcada para novembro, em Lisboa. Na pauta, temas sensíveis como a abertura para produtos do agronegócio. Presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Francisco Turra, vem participando de reuniões preparatórias com os vizinhos argentinos. A ideia é unir forças para derrubar cotas e taxações. O tom do encontro com os europeus são as negociações bilaterais, já que autoridades partem do princípio de que Doha fracassou mesmo. Quer dizer, um acordo mais amplo é difícil de sair.

Postado por Carolina Bahia

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