Para a torcida
Caderno Expointer
Acompanhe a coluna de hoje, publicada no jornal Zero Hora:
Mais uma vez a política encobre os estudos técnicos e o produtor tem a sensação de que está na berlinda. No caso da revisão dos índices de produtividade, o que está em discussão agora não é o rendimento médio atingido pelas propriedades, as condições da lotação pecuária, os prejuízos com o clima ou as peculiaridades dos municípios. O debate todo virou uma questão de honra, uma queda-de-braço entre ruralistas de defensores dos sem-terra. O próprio governo tira a revisão dos índices da gaveta como resposta às reivindicações do MST, dias depois da invasão de prédios públicos. Esses dados vinham sendo debatidos entre especialistas dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Havia pontos de acordo, com base na realidade da agropecuária atual, mas nunca uma real disposição política de negociar a implantação. Pressionado por uma crise no Senado, pela troca de acusações entre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-secretária da Receita Lina Vieira, e por insatisfações dentro do próprio partido, Lula resolveu colocar na praça um fato novo. O problema é que a ordem foi dada sem devida articulação com todas as pontas da cadeia produtiva. A reação contrária era inevitável. Agricultores e pecuaristas, empresários rurais que se acostumaram a investir no próprio negócio e alcançam altos níveis de produtividade não têm mesmo com que se preocupar. Mas fica o clima de insegurança e o questionamento que circula dentro do próprio Ministério da Agricultura: por que os índices valem apenas para as médias e grandes propriedades? No mundo atual, todos que produzem alimentos fazem parte do agronegócio, até mesmo quem não quer.
Postado por Carolina Bahia






